Abri os olhos - Maria de Fátima Mota Zampieri

 


Quando acordei naquele lindo dia, confesso, estranhei.

Céu azul, sol a pino, mar brilhante, calmo e tranquilo, parques, montanhas verdes e, ninguém.

Isolamento social, ruas vazias, silêncio, muito tempo, ausência de liberdade. Da sacada, pensei.

Porque não aproveitei mais a vida?  Por que não viajei? E meus amigos e parentes não visitei?

Redigi poesias, dedilhei no violão notas e acordes, trazendo a música, tempo que desperdicei.

Plantei flores e vegetais, me exercitei, cumprimentei vizinhos, corri na sacada, refleti, sonhei.

Limpei, limpei. Sabão, álcool gel, usei, para banir o inimigo invisível, terceira guerra enfrentei.

Aderi a tecnologia, em salas on line, no coral cantei, com amigos rezei, com a família conversei.

Pela internet, informação compartilhei, fotos encaminhei, com as gestantes aprendi e ensinei.

Com o caos social, desemprego, a fome, me preocupei. Questionei. O que fazer? Ainda não sei.

Ser solidária, voluntária, usar redes sociais, votar bem, esperar e atuar, agora? - me perguntei

A luta pela existência. A morte. O medo. A finitude. Valorizei ainda mais a vida, me reinventei

Tenho esperança e sonho pela busca do essencial. Paz, liberdade, respeito, amor e amizade.

A educação e a saúde, vitais para proteger o mundo, enfrentar o pânico e a calamidade.

Solidariedade, participação, cooperação entre os humanos, passos cruciais para humanização;

Criatividade, arte e ciências juntas podem ser solução para prevenção, inovação e renovação.

 

Caos na saúde, social, econômico e político.

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