Dois carnavais – Maria de Fátima Mota Zampieri
Carnaval,
folia, liberdade, alegria, paixão, folclore, manifestação política, social e
cultural,
Explosão
social, expressão corporal, democrática, artística, coletiva do sonho e do
real.
Espaço
de encontros, desencontros, brincadeiras, danças, músicas, de risos e de
criatividade,
Inversão
de papéis: rico e pobre, opressor e oprimido, homem e mulher; lugar fascinante
de igualdade e diversidade.
Palhaço,
pierrô, colombina, malandro, odalisca, bobo da corte, príncipe, princesa,
caveira/terror,
Escondem
na fantasia, estórias recentes e antigas de paixão, comédia, horror, dor e
amor.
Emoção,
sensibilidade, ingenuidade, ritual de transformação, de renovação, do
verdadeiro à ilusão,
Expressão
da beleza, da leveza, do trabalho em equipe. Resgate da história, tradição e
educação.
Cordões,
ranchos, blocos, sujos, escolas de samba, serpentinas e confetes nos bailes
daquele salão,
Rompimento,
crítica, catarse, equilíbrio social, reinvindicação, liberdade de expressão e
criação.
Carnaval do lucro, da competividade, da
máquina do dinheiro, do jogo do bicho, da subvenção, da contravenção e
corrupção.
Sonífero da população, alienador da
sociedade. Forma de evitar a explosão da panela de pressão.
Carnaval da exploração do homem, da
mulher e do corpo, da baderna e da promiscuidade,
Das doenças transmissíveis, drogas
ilícitas, do álcool, da gravidez indesejada e da insanidade;
Da violência, do desrespeito, dos
excessos, do politicamente incorreto, do casual e ilegal,
Do rival, desigual, imparcial,
marginal, criminal, punhal, no final, muitas vezes letal.
Carnaval duas faces, do pior e do
melhor, do desespero e da esperança, na expressão do velho e da criança,
Festa pagã e cristã. Do consciente e
inconsequente. Do folguedo e cinza, gerando mudança.
Faz de conta, realidade, prisão,
liberdade, crueldade, carnaval, sem carne, e do prazer,
Máscara, imaginação, ilusão, dissimulação, esconde a
identidade, podendo emergir novo ser.

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